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Na reabilitação do tecido antigo das cidades importa pensar, em primeiro lugar, na sua dimensão social: nos seus habitantes.

A salvaguarda dos bairros históricos não pode ser tratada separadamente das populações que neles habitam e que lhes dão significado.

As pessoas são uma mais valia para o local e não devem ser excluídas do processo de reabilitação, pois mantêm a identidade própria do lugar e representam a memória coletiva de muitas gerações.

É preciso valorizar aspetos como a vivência de bairro, a vida comunitária e as relações de vizinhança que se têm vindo a perder nas últimas décadas em vários locais, principalmente com a abertura do negócio do turismo ás nossas cidades.

Estas dinâmicas sociais são essenciais, não só para a fixação da população local, como para a valorização da própria cidade onde estão integradas, contribuindo para uma autenticidade que traz importantes benefícios sociais, culturais e económicos.

Quando isto não se verifica, os bairros perdem a sua identidade, ficando os habitantes também desintegrados, posteriormente perdendo todo o seu interesse social e turístico.

Como habitante de Lisboa, não se verifica o que atrás defendi. Existe uma reabilitação desorganizada e desintegrada deste dualismo Cidade/ Cidadania.

Os habitantes dos bairros históricos estão encurralados nos seus próprios bairros ou são obrigados a sair para as zonas limítrofes de Lisboa.

A reabilitação é feita com um único objetivo: mais metros quadrados para venda pelo melhor valor.

Vale a pena pensar, se é isto que queremos para as nossas cidades. A descaracterização e posteriormente o abandono de toda uma cultura.

É certo que o turista não vai querer visitar uma cidade só de turistas.
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