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Tenho a preocupação de me informar sobre toda a atividade existente no ramo imobiliário, visto ser nesta área que trabalho. Faço este artigo, não de opinião, mas de alerta, pois é necessário alertar para os riscos de uma transação imobiliária mal feita e sem os cuidados necessários.

Como é sabido, pelos órgãos de informação social e pelos organismos do setor, existem poucos Imóveis para transacionar no mercado imobiliário Português, quer no segmento de compra e venda, quer no segmento de arrendamento urbano, para uma procura que não para de crescer todos os dias e que não consegue ver resolver as suas necessidades habitacionais.
Este facto, faz com que haja muita gente, que se faz passar por intervenientes no mercado, a atuar de má-fé, querendo aproveitar-se do desespero de jovens e famílias que não conseguem encontrar uma casa à medida das suas necessidades e possibilidades.
Nos portais imobiliários que existem no mercado, não é raro encontrar oportunidades de negócio muito apetecíveis, que até parecem mentira. E são.

Anúncios com fotos de apartamentos remodelados e bem decorados, em localizações prime, a um preço muito abaixo dos que hoje se praticam no mercado são mais frequentes do que seria desejável e devem gerar desconfiança por parte de quem procura.
Apesar de os portais terem mecanismos de revisão que alertam para a falta de fiabilidade deste tipo de anúncios, esta “fiscalização” não é suficiente e nem sempre os mesmos são eliminados a tempo de evitar situações de burla.
O esquema habitual é o seguinte: quem procura contacta o “proprietário”, que sugere a troca e contatos de telefone e de e-mail para continuar a conversação. Depois, apresenta-se como um cidadão estrangeiro que adquiriu o ativo em Portugal e que regressou à terra natal, querendo por isso obter rentabilidade do seu imóvel através de um arrendamento que pretende que seja a longo prazo, transmitindo a ideia de que o seu objetivo não é obter grandes lucros do negócio, mas sim ter um inquilino cumpridor durante muito tempo.
Desta feita, e para garantir a reserva do apartamento, exige desde logo o pagamento do valor da primeira renda e de uma caução de igual valor, alegando que só depois do recebimento da transferência garantirá a entrega da chave ao inquilino.
“Embriagadas“ pela expetativa da realização de um bom negócio a um preço baixo, as vítimas acabam por cair no esquema, transferindo o valor solicitado.
Só depois verificam que caíram no conto do vigário, o “proprietário” fictício desaparece, fica incontactável e deixa assim o arrendatário sem casa… e sem dinheiro.
Importa por isso esclarecer, sobre este tipo de burlas, deixando a nota de que, mesmo que os contactos iniciais possam ser estabelecidos via on-line ou por telefone, os subsequentes devem ser sempre feitos presencialmente, sem nunca haver lugar a adiantamento de dinheiro.
Estes esquemas montados para lucrar com o desespero dos cidadãos que se vêm absolutamente encurralados sem soluções habitacionais são sofisticados, e exigem atenção redobrada. Daí a importância de fazer uma triagem do que é real ou do que é potencialmente fictício. Para garantir a fiabilidade dos negócios, não há dúvida de que o recorrer a empresas de mediação imobiliária devidamente licenciadas pelo órgão regulador IMPIC, são uma boa alternativa para evitar situações de burla.
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