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23 Mar 2019

António Veiga, Licenciado em Economia, ISEG - Artigo Opinião

Casa para todos?

     

António Veiga - Licenciado em Economia - ISEG

Casa para todos?

 
   

Nunca tinha pensado muito na actividade imobiliária antes de ir viver para o Algarve em 2003.

Foi aí que me familiarizei um pouco com várias entidades ligadas ao ramo. Trabalhava para um jornal de anúncios classificados com sede em Portimão, já desaparecido, de um editor alemão, o jornal chamava-se Algarve 123.

O 123 tinha a ver com o facto de ser escrito em três línguas: português, inglês e alemão. E muita da publicidade do jornal era comprada por imobiliárias. Comecei a ter a ideia de que boa parte da vida económica da região se passava entre o turismo e o imobiliário, e que muitos profissionais de vários países, nacionais, ingleses, alemães e holandeses sobretudo, tentavam a sua sorte neste mercado.

O peso da actividade é tão grande e de certa forma tão sofisticado que quase esqueci que o ter casa é algo de primordial na vida das pessoas, algo simples, mas sobretudo algo essencial para o bem-estar de todos e portanto ter uma casa devia ser para todos.

Um dos grandes defensores desta ideia nos dias que correm é o Papa Francisco. Ele afirma em 2014 “Já o disse e repito-o: uma casa para cada família (…) Família e casa caminham juntas”. E é esse um dos objectivos da nossa sociedade? Certamente que não.

Aliás, o Estado tem desinvestido fortemente nesse propósito, não criou incentivos suficientes para que o acesso à habitação de uma forma socialmente aceitável se tornasse possível nos últimos anos.

Penso que os nossos políticos se limitam a gerir expectativas e que o povo procura apenas sobreviver o melhor que pode, alguns com mais resultado do que outros necessariamente. Ou seja, o que se procura é um bocadinho menos de desemprego, um bocadinho mais de dinheiro, e muitos regulamentos, muitas leis, muitas normas, muitos impostos.

Mas voltemos ao tema, ter casa. Para que casa para todos seja menos uma ilusão do que é hoje julgo que a sociedade deve apostar mais em trabalho para todos.

Quem me lê pensará que devo ser talvez um iludido idealista…não sou, como economista tenho consciência da importância do funcionamento dos mercados, mas cada vez mais acho que as sociedades devem procurar o mais possível o “bem comum”, que não pode ser imposto, mas pode e deve ser procurado.

Se houvesse genuinamente o objectivo de que o máximo de pessoas estivesse empregado num país e que isso fosse visto como prioritário, então haveria incentivos e razões maiores para proporcionar casa a esses “trabalhadores”.

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