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17 Jun 2019

António Veiga, Licenciado em Economia, ISEG - Artigo Opinião

Portugal precisa de um desígnio?

     

António Veiga - Licenciado em Economia - ISEG

Portugal precisa de um desígnio?

 
   

O recente dia de Portugal foi aproveitado pelo inesperado comissário para as suas comemorações, nomeado pelo Presidente da República, o jornalista João Miguel Tavares, para se debruçar no seu discurso sobre a necessidade de um desígnio para Portugal ou como ele próprio diz “reclamar uma estratégia nacional que vá além da mera gestão do dia-a-dia”.

Nos últimos anos tenho sentido bastante a mesma necessidade.  Há uma sensação de falta de luta por objectivos. Vivemos os anos pesados da correcção do nosso deficit orçamental, que levaram a um aumento muito significativo da nossa carga fiscal e a um acréscimo do desemprego a níveis inusitados, em que os trabalhadores do Estado e os pensionistas foram particularmente penalizados, mas onde todos os portugueses em geral foram afectados, e o desígnio era pôr o país dentro dos países “financiáveis” pelos mercados financeiros internacionais, depois de uma crise perigosa.

Seguiu-se o novo período, de retoma de algum crescimento económico, de melhoria no emprego, alguma correcção nos cortes de remunerações, num maior equilíbrio nas contas públicas, e nas contas com o exterior. Mas eis uma dificuldade: não vivemos isolados, e no nosso espaço europeu o nosso crescimento é comparativamente baixo, pois quase toda a “gente” cresceu mais do que nós. Por outro lado, a carga fiscal não diminuiu e os serviços públicos, na saúde e nos transportes sobretudo, mostram falta de investimento e de sustentabilidade.

Vivemos, pois, numa gestão corrente, no nosso caso politicamente à esquerda, mas se calhar se fosse mais à direita, não mudaria muito. Essa gestão corrente é sobretudo política, em que o partido do poder procura a sua manutenção e aumento de votação. Podemos continuar a nossa análise, olhar mais sectorialmente, e aí citar a construção, mas o diagnóstico mantém-se: o país não tem desígnio que se veja.

Mas dir-me-ão: precisamos mesmo de um desígnio? Não chega a dita gestão corrente, partindo do princípio que nada de “grave” se passa? Mas será que nada de grave se passa? O país tem vários problemas muito complicados, um deles é um deficit demográfico enorme, somos um dos países com uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo, o que terá que ser corrigido de alguma maneira.

Temos um desequilíbrio muito grande entre regiões, um interior despovoado e um litoral com grandes concentrações populacionais. As desigualdades sociais continuam grandes. Precisamos de mobilizar o país, pois os portugueses só mobilizados actuam como um todo, de outra forma perdemo-nos em desígnios parciais muitas vezes contraditórios, em que acabamos muitas vezes por nos prejudicar uns aos outros.

O desígnio serve para nos mobilizarmos enquanto povo e não há nada que possa substituir essa necessidade.

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